sábado, 1 de setembro de 2007

A IMPORTÂNCIA DA LEITURA PARA A PRODUÇÃO DE TEXTOS

‘’Aprende a escrever bem ou a não escrever de jeito nenhum.’’ (Deyden)
‘’Para escrever bem deve haver uma facilidade natural e uma facilidade adquirida.’’ (Joubert)
‘’Quem me dera saber escrever!’’ (Campoamor)
‘’O ato de escrever é a arte de sentar-se numa cadeira.’’ (Sinclair Lewis)
‘’Escrever é um ócio trabalhoso.’’ (Goethe)
‘’O pensamento voa e as palavras andam a pé. Aí está o drama de quem escreve.’’ (Julien Green)
‘’A cesta de papéis é o primeiro móvel na casa de um escritor.’’ (Ernest Hemingway)
‘’Ainda que seja um intelectual das letras, não deveis supor que eu não tenha tentado ganhar a vida honradamente.’’ (George Bernard Shaw)
‘’O que se lê sem esforço foi escrito com muitas dificuldades.’’ (Enrique J. Poncela)

Carneiro (2001:9): “Todos, escritores, ou não, são unânimes em apontar as dificuldades da tarefa de escrever. Muitos a consideram um aprendizado demorado, dispendioso e pouco eficiente, já que são poucos os que chegam a redigir textos de forma adequada. Outros afirmam que escrever é lutar inutilmente contra as palavras, pois parecem nunca atingir plenamente os objetivos pretendidos. Além do mais, no nosso cotidiano, a língua falada parece ocupar um espaço de maior prestígio – jornais falados, mensagens gravadas em fitas, telefonemas, etc. substituem tradicionais meios de comunicação que utilizam a língua escrita. Diante desse cenário, cabe a pergunta – Ainda vale a pena aprender a escrever? A escola parece acreditar que sim, já que ainda prioriza a escrita... Mas de onde vem essa importância? Por que, apesar das dificuldades, alguns ainda acham que devem continuar a defender o seu ensino?”
O texto, transcrito acima, faz parte da introdução do capítulo ‘’Para que aprender a escrever?’’, o qual parece apropriado para o início de uma reflexão acerca desse assunto. ‘’Escrever é falar no papel.’’ Esta é uma frase, retirada do livro de Donald Weiss, “Como Escrever com Facilidade”; no qual o autor assegura que o medo acaba inibindo pessoas alfabetizadas de escrever. Já que escrever é falar no papel, o primeiro passo, segundo ele, para perder este medo é escrever como se estivéssemos falando.
Escrever sem medo e sem preguiça, fazer vários rascunhos, ler em voz alta o texto escrito para descobrir as falhas (sub-vocalização) são técnicas indispensáveis; e o restante advém da coragem de não ter medo de errar e de ser criticado por alguém que nunca escreveu nada, mas que está sempre pronto a destruir a criatividade do outro.
Na escola, uma grande dificuldade enfrentada pelos alunos com relação ao escrever refere-se à necessidade que eles têm de deixar a linguagem coloquial, “aquela do dia-a-dia”, e passar a se expressar por escrito, numa linguagem mais formal e mais cuidadosa. A fala por ser mais espontânea, menos cerimoniosa e com certeza mais fácil que escrever, e pelo fato de a escrita ter normas próprias (ortografia, acentuação, etc.), a falta de um interlocutor à sua frente exige deles que obedeçam a essas normas.
Outra questão muito comum entre os alunos é dizer que aquele dia “não estão inspirados”, que não vão conseguir escrever. Esta afirmação, para Gustavo Ioschpe, jornalista da Folha de São Paulo, não tem fundamento, pois garante que ‘’além do 1% de inspiração que está no DNA de qualquer aspirante a Shakespeare, o que é determinante são os 99% de transpiração”.
Outra grande referência é a opinião de Garcia (2002:301) que assegura: ‘’aprender a escrever é, em grande parte, se não principalmente, aprender a pensar, aprender a encontrar idéias e a concatená-las, pois, assim como não é possível dar o que não se tem, não se pode transmitir o que a mente não criou ou não aprisionou.’’ Considera ser ilusório supor que se está apto a escrever quando se conhecem as regras gramaticais e suas exceções. Evidentemente, um aluno precisa de um mínimo de gramática indispensável (grafia, pontuação, um pouco de morfologia e sintaxe), que permitirá a ele adquirir certos hábitos de estruturação de frases modestas, mas claras, coerentes e objetivas, embora só isso não seja suficiente.
Considerando a produção de textos na escola, pode-se dizer que cabe aos educadores, portanto, propiciar condições para o aluno exercitar-se na arte de pensar, captar e criar suas próprias idéias, através de atividades que exijam reflexão e produção de um novo texto; e para alcançar esse objetivo, deve-se utilizar a criatividade, sempre considerando e usando “A PALAVRA” como veículo de expressão do pensamento, desenhando através da “ARTE DA PALAVRA ESCRITA” um texto original, diferente, como se fosse uma verdadeira obra de arte.
À primeira vista, pode-se pensar que cada palavra escrita é objeto de uma "convenção" que associa arbitrariamente, uma forma gráfica específica a um sentido específico. Mas é preciso ter em conta que a língua escrita é um "código derivado" da língua oral. Se a relação entre a expressão sonora das palavras e o seu sentido é arbitrária, a relação entre a expressão sonora das palavras e sua forma gráfica - exceções à parte - não é. Subjacente à relação não arbitrária entre a forma ortográfica e a forma fonológica há um princípio que o aluno deve descobrir: o alfabético.
Freqüentemente, no ensino da leitura, tenta-se conciliar o inconciliável: fazer compreender como funciona o código escrito pela descoberta do princípio alfabético e fazer descobrir as finalidades e as questões envolvidas na leitura usando os mesmos textos. Estes dois objetivos complementares exigem que os alunos apóiem-se sobre suportes escritos de dimensões e de natureza muito diferentes. A descoberta do princípio alfabético exige a manipulação de segmentos curtos e cuidadosamente escolhidos para uma ilustração precisa, já a tomada de consciência da diversidade dos escritos e de suas finalidades individuais e sociais exige escritos ricos, autênticos e socialmente significativos.
Fazer compreender, a partir de um mesmo suporte escrito, como "funciona" o código e para que serve quando colocado em funcionamento introduz o risco de empobrecer, e mesmo perverter uma das duas tarefas: textos muito curtos, insípidos, sem ambições semânticas e sem significado social não podem revelar a um aluno o que é ler; em contrapartida, textos ricos, variados, carregados de sentido são impróprios para colocar em evidência as relações que ligam as letras e os grupos de letras escritas aos sons orais.
Ao colocar-se o ler e o escrever ainda como desafios, deve-se ter em mente que formar o leitor é também compreender e conhecer esse modo de ser oral de nossa cultura urbana, o qual disputa terreno com a tradição escrita, com seu apelo facilitador à inteligibilidade do mundo. Situá-los nesse ambiente de turbulência cultural, enfrentando-o, sem negá-lo ou ignorá-lo, estar em seu meio e a partir dele, utilizar seus recursos, dirigir uma proposta política/ética/estética ao aluno, para integrá-lo a uma compreensão de mundo que vise à interação com tudo que esta carrega de coerências e contradições.
Professores podem e devem planejar um ambiente, em sua dimensão tanto física quanto social, no interior da unidade escolar, mais especificamente na sala de aula, que se constitua num espaço cultural capaz de instigar/sugerir/convocar certos conhecimentos, atitudes, valores, desejos e reflexões. Formando leitores dentro das diferentes naturezas da linguagem escrita e visual; agregando ao ato solitário da leitura do texto escrito o movimento de luz e sons; motivando e formando alunos/leitores, mesmo dentro dessa sociedade, tão urbana e tecnológica, em que estão inseridos. Uma orientação eficiente para a prática de produção de textos, na escola, deve envolver procedimentos fundamentais distribuídos em dois grandes momentos: o que antecede e o que coincide com o ato de escrever, propriamente dito. No primeiro momento, há que se orientar na busca de conteúdos (idéias, opiniões, informações) a serem colocados no papel; no segundo, não menos importante, deve-se preocupar com o modo de fazê-lo, resgatando e/ou apresentando habilidades de estruturação do texto que permitam tecer microestruturas eficazes para se conseguir um texto coeso e coerente com as idéias e intenções do autor.
Os alunos devem estar convictos de que escrever é expressar idéias, conceitos, informações, sentimentos, sensações de maneira clara, coesa e coerente com aquilo que se deseja e cabe ao professor ensinar-lhes a selecionar e manipular tanto palavras e frases quanto idéias, conceitos e informações para que possam obter o resultado desejado em sua produção textual.
Para encerrar, uma apropriação das sábias palavras do grande mestre Rubem Alves: “Bom seria que o professor dissesse aos seus alunos – Leiam esse livro. Ruminem. Depois de ruminar, escrevam os pensamentos que vocês pensaram, provocados pelos pensamentos do autor. Os pensamentos dos outros não substituem os seus próprios pensamentos. Somente os seus pensamentos estão vivos em você. Um livro não é para poupar-lhes o trabalho de pensar. É para provocar o seu pensamento.”

Referências:

CARNEIRO, Agostinho Dias. Redação em construção. A escritura do texto. 2 ed. rev. e ampl. São Paulo: Moderna, 2001.
GARCIA, Othon Moacyr. Comunicação em prosa moderna. 21 ed. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 2002.

* Artigo publicado por Patrícia Ferreira Bianchini Borges na Revista Pedagógica -
Ponto de Encontro, ano VI, nº 6, 2004 (pp. 6 e 7).

E nos sites:

. Leia Livro, em 03/02/2007. Disponível em: <http://www.leialivro.com.br/texto.php?uid=13812>

. Vestibular 1, em 16/07/2006. Disponível em: <www.vestibular1.com.br/revisao/importancia_leitura.doc>

. Amigos do Livro. Disponível em: <http://www.amigosdolivro.com.br/lermais_materias.php?cd_materias=4017>

. Pedago Brasil - o futuro do planeta em suas mãos, em 06/10/2007. Disponível em: <http://www.pedagobrasil.com.br/pedagogia/aimportanciadaleitura.htm>

. Via6, em 05/04/2008. Disponível em: <http://www.via6.com/topico.php?tid=170339>


terça-feira, 23 de janeiro de 2007

MELANCOLIA
Patrícia Bianchini
Ele passava e me sorria,
Eu fazia de conta que não existia.
De repente, num belo dia,
Pude perceber quanto o queria.
Não mais sorria,Agora, apenas sofria.
Doía, doía...
O porquê, não sabia.
Agora eu lhe sorria.
E ele fazia de conta que eu não existia.
Foi então que me consumia,
Num amor que ele não correspondia.
EU APRESENTO A PÁGINA NEGRA CONTRA:
Patrícia Bianchini
... o branco travestido de paze a guerra que em seu nome se faz,
... o silêncio que não se reconhece como o some o som camuflado pela voz,
... a mentira que finge ser verdadee a verdade que se confunde com a falsidade,
... o ai que não se define como dore a dor que não admiti ainda ser amor,
... a nudez que se veste de santidadee a santidade que se despe da naturalidade,
... o corpo que se diz homeme o homem que não se descobriu humano,
... o abastado que não sabe que é pobree o pobre que não se enxerga nobre,
... o passado que não sabe que ainda é presentee o presente que se torna ausente.
De repente da noite fez-se luz
Que a tudo transforma
E a página d’antes negra clareou...
ASSIM, APRESENTO-LHE AGORA A PÁGINA QUE É BRANCA À FAVOR:
... do sol que traz o calor,
... da lua espelhando um novo amor,
... da chuva que faz renascer a esperança,
... da tempestade que traz a bonança,
... do tempo que aplaca toda a dor,
... da morte na qual renasce o fulgor.
EU APRESENTO A PÁGINA:
... desmistificada,
... desmetaforizada,
... despojada
... eu apresento a página!
JANELA DE MINH’ALMA
Patrícia Bianchini
Presa à escuridão...
Desesperada, busco uma fresta
Por onde a luz possa entrar
E se instaurar.
Quem sabe, se uma janela encontrar
A transparência e o alívio, enfim
Possam em minh’alma adentrar.
Quiçá alcançar essa liberdade e alegria
Que estão soltas no ar...
No entanto, minha janela fechada
Impede-me vislumbrar.
Horizontes tranqüilos, pássaros a voar,
Certamente, alegrariam esta vida triste
E amarga de sonhar...
Talvez uma pequena abertura...
Por onde essa dor pudesse escapar
E vida nova
Viesse a encontrar.
A RUA COMO LUGAR DE SUSCETIBILIDADE À VIOLÊNCIA
Patrícia Bianchini
A rua, que deveria ser um espaço privilegiado de sociabilidade, no qual se pudesse vivenciar experiências, experimentar relações, reconhecer os iguais e os diferentes, tem se tornado um cenário de exposição às drogas, à violência e à criminalidade.
Nela, indivíduos, dispostos a correr perigo e a contrapor-se às instituições, envolvem-se em pequenos atos de confronto com regras estabelecidas ou em transgressões da lei, que vão de um pequeno delito eventual à adesão ao crime organizado. Alterados pelo consumo de drogas e com o estado da sã consciência extinto, esses indivíduos praticam as maiores atrocidades e são cada vez mais ousados, pois sabem que a polícia é despreparada, que a justiça é morosa e que a população, inerte e sem força, nada pode fazer contra eles. Humilhadas, ressentidas e revoltadas (com toda razão - diga-se de passagem) muitas das vítimas dos referidos indivíduos nem chegam a registrar ocorrência, depois de sofrerem algum furto ou agressão, e concluem: “Já fui roubado mesmo, registrar o furto não trará meus bens de volta!”.
Cria-se, deste modo, um círculo vicioso no qual os delitos aumentam, os criminosos se fortalecem e a população gradativamente fica mais desprotegida. Embora seja público e notório que o governo junto à polícia vêm tentando combater os altos índices de violência (que nas últimas décadas é motivo de grande preocupação social), problemas como leis mal elaboradas, sistemas carcerários superlotados são entraves para que se efetivem mudanças significativas em favor da população.
Surgem, então, alternativas como desarmar a população: ilusão que muitos alimentam, uma vez que a principal personagem a ser desarmada - o meliante - com certeza, não o será, este lutará com todas as forças para continuar com seu instrumento de trabalho nas mãos, é óbvio! Por conseguinte, leis como a nº 9437 - referente ao uso de armas mal executadas - assim como diversas outras, têm pouca eficácia. Prova disso tem-se no artigo 18 que fala: “É vedado ao menor de 21 (vinte e um) anos adquirir armas de fogo”, e não é cumprido por todos.
O que acontece em nosso país e em muitos outros lugares do mundo é que primeiro se desarma o cidadão, aquele que utiliza a arma como esporte ou como segurança da família, para depois se “tentar” tirar a do ladrão.
O atual momento consolidado por um processo de transição e mudanças que envolvem não só as pessoas como também as comunidades, instituições, segmentos sociais e nações, exige de todos os que se preocupam com o futuro da humanidade, uma parada para refletir sobre como estamos (ou não) mudando em meio a essas transformações e sobre o que estamos efetivamente fazendo para transformar a sociedade em que vivemos num lugar mais justo, solidário, igualitário e seguro.
Para tanto, é preciso chegar à raiz das questões, buscar um consenso sobre qual é o nosso papel na sociedade, sobre o que seja solidariedade, respeito, justiça, reavaliando os valores humanos e éticos em torno dos quais a sociedade deve ser estruturada, buscando princípios que sejam universalmente aceitos, reconhecidos e aplicados para nortear nossos caminhos e quem sabe recuperando a rua que dantes era um espaço privilegiado de sociabilidade, convívio e lazer.
TER X SER


Considerando-se as condições das sociedades de consumo dirigido, não se pode escapar dos promotores de tais sociedades, fato este que nos integra num circuito elaborado a nossa revelia.
A situação de dominação implícita nesse processo é evidente. O indivíduo desumaniza-se aos olhos de tais promotores e passa a ser visto como entidade econômica, consumidor potencial, cujo poder aquisitivo que o circunda permite-lhe possuir produtos aos quais se habitua e sem os quais não pode sobreviver, uma vez que está literalmente viciado no consumo de mercadorias que o dopam.
Com essa dopagem, dilui-se o discernimento, a escolha e a faculdade do livre arbítrio; deste modo, a dominação do espírito humano pretendida pelo discurso-mercadoria serve à ordem dominante, seja ela de que natureza for.
Bombardeados a todo instante por apelos ao consumo, conseqüentemente, somos consumidos pelo desejo de consumir. Persuadidos, já não fazemos uso da faculdade da razão, deixando-nos levar por meros anseios. Manipulada nossa vontade, concretizamos nossos sonhos em imagens que nos parecem tão verdadeiras!...
Possuir passa a ser sinônimo de alcançar a felicidade: artefatos e produtos proporcionam a salvação do homem, representam bem-estar e êxito. Não somos capazes de vislumbrar que sem a auréola que a publicidade lhes confere, seriam apenas bens de consumo; mas mistificados, personalizados, adquirem atributos da condição humana.
Atingindo indivíduos de toda e qualquer classe social, através dos veículos de comunicação de massa, sérias conseqüências são caudadas em nosso modo de pensar e agir tornando-nos alienados, fora de nossa própria realidade.
Atuar com discernimento e solidariedade nas situações de consumo e de trabalho cientes de nossos direitos e responsabilidades, identificando problemas e debatendo coletivamente possíveis soluções; deveriam ser propostas amplamente difundidas no intuito de mudar essa realidade que nos circunda.
É preciso, pois, perceber essa situação. Consumir não é um mal em si mesmo. O mal está em sermos usados pelo consumismo. Antes que nos esqueçamos, de que somos gente e de que precisamos de saúde mais do que de dinheiro; de carinho mais do que de sucesso; e de amizade e compreensão muito mais do que de consumir; ou, então, nos perderemos em meio à ilusão de ter e nos esqueceremos de ser.
Texto publicado por Patrícia Ferreira Bianchini Borges nas Revistas:

. Revista Pedagógica - Ponto de Encontro, ano VII, nº. 7, 2005. (p. 7).

. Destaque IN - Revista Cultural de Sacramento e Região, ano XI, nº. 68, Mar / Abr 2006. (p.34) Disponível: <http://destaquein.sacrahome.net/node/382>
. E no site Leia Livro em 02/07/2006: